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Poemas
Sonhei uma, outra vez,
Que eu era como ela.
Era leve como o vento,
Era como a Cinderela!
Os pés finos eu não tinha,
Nem sapatos de cristal,
Mas o castelo existia ,
Como se fosse real!
O Príncipe com que sonhei,
Também por mim era amado !
Montava um cavalo negro,
Por mim ficou encantado!
Mas o cavalo corria,
Numa corrida sem fim!
E cada vez o levava,
Para mais longe de mim!
O fio que nos ligava,
Era fino e partiu !
Com ele partiu a vida,
E a Cinderela fugiu! /76
Chove… Chove…
É cedo,
Gente que pass anum vai-vem,
São oito horas e o apito
Não perdoa a ninguém!
Debaixo de uma varanda vejo:
Adultos, crianças…
O tempo?
O tempo está calmo
Mas as nuvens não se fazem
Esperar!
Começa a ch’over!
Para aqui, para ali,
Tudo tenta abrigar-se.
Olho… e que vejo?
Uma criança descalça,
Semi-nua!
Corri para ela!
“Nãotentas recolher-te?”
Sem falar, continuou…
Devagar… devagarinho…
Através das gotas da chuva
Vi uma lágrima
Deslizando lentamente…
E naquele rosto, já sujo,
Dois olhitos muito pretos,
Ramelados,
Ergueram-se para mim
Numa muda interrogação??
Porque nasci?
Porque sou criança,
E tu adulta quem és ?
Continuou a andar,
No “seu mundo”
Não me deixou entrar…
A chuva miudinha
Foi engrossando…
Engrossando…
Tocada pelo vento
Não parou!
E a criança a caminhar,
Mostrava no seu andar,
Que a chuva sendo forte,
Não a conseguia molhar!
Ao mesmo tempo dizia:
“SOU PEQUENO NÃO ME ESTORVE…
PORQUE NO MEU CORAçÃO,
CHOVE…CHOVE…CHOVE….”
Lena Aveiro/79
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